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OLHAR PSICANALÍTICO

Psicologia Profunda: Como os traumas precoces moldam a personalidade adulta

Entenda os sinais do transtorno de personalidade borderline e o que está por trás das emoções intensas e relações instáveis.

Publicado em 21/07/2025 às 12:19
Atualizado em

Marcelo Augusto Zacarias, Psicólogo - CRP 20/01298 (Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

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A Estrutura das Feridas: o que a psicanálise nos ensina sobre os transtornos de personalidade

Por Marcelo Augusto Zacarias - Mestre em psicologia, Psicólogo clínico e doutorando pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Quando se fala em transtornos de personalidade, a tendência imediata é pensar em comportamentos “difíceis”, em pessoas “complicadas”, “manipuladoras” ou “instáveis”. Mas, por trás dessa visão simplificada — muitas vezes permeada por estigma — existe um mundo mais denso, subjetivo e profundamente humano. A psicanálise, especialmente em sua vertente psicodinâmica, nos convida a enxergar além da superfície.

O que é um transtorno de personalidade, afinal?

Na perspectiva psicodinâmica, os transtornos de personalidade não são apenas conjuntos de sintomas, mas formas específicas de se estar no mundo — modos de funcionar psíquica e relacionalmente que se estruturam desde a infância e adolescência, muitas vezes em resposta a experiências emocionais adversas. São tentativas de sobrevivência psíquica que, ao longo do tempo, tornam-se rígidas e disfuncionais.

Diferente de um transtorno episódico, como uma crise de ansiedade ou um episódio depressivo, o transtorno de personalidade está na base da forma como o sujeito percebe a si mesmo, os outros e o mundo. Não é um "acidente" na psique, mas uma forma estruturada de organização mental. E isso envolve, sobretudo, a maneira como o sujeito lida com a realidade, os afetos e os vínculos.

A lente psicodinâmica e os níveis de organização psíquica

A psiquiatria psicodinâmica, inspirada nas teorias de Freud, Klein, Bion, Winnicott, Otto Kernberg e outros pensadores do campo, propõe que os transtornos de personalidade sejam compreendidos segundo níveis de organização do self. Kernberg, por exemplo, diferencia estruturas neuróticas, borderline e psicóticas, com base em três critérios: a capacidade de integrar a identidade, a presença ou não de mecanismos de defesa primitivos (como cisão e idealização) e a manutenção do teste de realidade.

Assim, um transtorno de personalidade não é apenas um diagnóstico, mas a expressão de um funcionamento psíquico que sofre — e que faz sofrer. A pessoa borderline, por exemplo, não é apenas alguém com “mudanças bruscas de humor”. Ela vive intensamente a angústia do abandono, tem dificuldade em manter uma imagem integrada de si mesma e do outro, e muitas vezes recorre a estratégias emocionais extremas para lidar com o vazio.

O sujeito não é o transtorno

A psicanálise nos lembra que ninguém “é” um transtorno. O sujeito sempre excede a sua estrutura. Dizer que alguém tem um transtorno de personalidade é reconhecer que sua maneira de existir está atravessada por conflitos profundos, geralmente inconscientes, que moldam padrões repetitivos de sofrimento. Mas é também reconhecer que há um sujeito ali, desejante, singular, e — sobretudo — em potencial transformação.

O tratamento, nesse horizonte, não se dá apenas por medicação ou protocolos de contenção. Ele envolve o encontro com outro ser humano — o terapeuta — capaz de sustentar, com escuta e presença, o caos afetivo que muitas vezes o paciente não consegue nomear. É um processo lento, mas possível. Como diz Winnicott, o que cura é a possibilidade de existir com o outro de forma suficientemente boa.

Entre a dor e a defesa: a escuta como cuidado

Transtornos de personalidade não são falhas morais, nem marcas definitivas. São respostas emocionais moldadas por histórias de dor, ausência, traumas silenciosos. Para a psiquiatria psicodinâmica, tratá-los é mais que rotular ou controlar — é compreender, acolher e, quem sabe, abrir espaço para que novas formas de estar no mundo possam emergir.

Num tempo em que tudo exige rapidez, produtividade e normalidade, falar de transtorno de personalidade com escuta e humanidade é um ato de resistência — e de cuidado.

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Data: 26/07 (sábado)

Horário: 18h às 21h

Duração: 3 horas

Material em PDF + Certificado

Ministrado por: Marcelo Augusto Zacarias

Um encontro intenso e reflexivo sobre a complexidade do borderline sob o olhar da psiquiatria psicodinâmica.

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